Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Projeto Seis e Meia: quando a música envelhece

Há uma grande fissura entre a mídia radiofônica e a produção musical do país. Não há mais diálogo. Fica como únicas alternativas os projetos culturais em boa parte governamentais em levar música em seu sentido mais abrangente que instigue o pensamento, divirta e emocione as pessoas e não apenas como entretenimento como acontece com as emissoras de rádio.
O projeto Seis e Meia sempre teve junto com o projeto Pixinguinha o objetivo de ser formador de platéias e popularizar a música brasileira que não entra no circuito comercial com as grandes estratégias de marketing. E é aí que eu me pergunto qual a contribuição de Wanderléa, Renato e Seus Blue Claps, Golden Boys, Luiz Caldas e tantos outros tem sido o foco do projeto? No máximo o que se consegue é garantir público consumidor. Boa parte formada por classe média consumista que sente saudades do iê-iê-iê.
Tradicionalmente o Seis e Meia alternava uma programação entre o contemporâneo e a tradição, entre Moska e Quarte em Cy, entre Lenine e Boca Livre, entre Nando Reis e Joanna, entre Cordel do Fogo Encantando e Renato Teixeira.
O simples falto de acontecer dentro de um shopping já afasta pela localização a grande massa, sem contar nos valores da água, da bebida e lanches do bar, muito acima da média do que se paga na cidade. Essa proposta é contraditória com a política cultural que a Prefeitura de João Pessoa vem fazendo ao descentralizar o Estação Nordeste para os bairros, promover a valorização dos nossos artistas e criar formas de apoio institucional para criar futuras gerações que valorizam sua arte e cultura.
Junto a essa modificação de olhar para um projeto cultural com a importância que o Seis e Meia tem, sentimos o vácuo deixado pelo projeto Pixinguinha que não aportou mais por cá. Lembro de uma noite incrível com Rogéria Holtz, Mart'nália e Celso Fonseca, três estilos diferentes que representam bem o país em que moram.

Essa preocupação aconteceu justamente em minha ida a Recife ver uma palestra de Roberto DaMatta e me deparei com um show gratuito na concha acústica do Teatro da UFPE de Moska e Ney Lopes, um dos mais representativos nomes do samba brasileiro. Deu uma saudade danada do Brasil, de me ver representado no palco através das músicas que falam do meu povo e para o meu povo.

p.s.: O iê-iê-ê é algo esgotado que só sobrevive das memórias de quem tem saudades de um dia ter sido jovem e, de repente, envelheceu!

retorno

Esvaziamento... essa foi a sensação dos últimos meses, por isso, sumi daqui na tentativa de organizar minha caótica vida... e é até contraditório me identifica com um refrão de Moska na música Móbile: "sou um móbile solto num furacão, qualquer calmaria me traz solidão".
Escrever realmente é um hábito e nesses meses me voltei mais pra escrita acadêmica, produzindo artigo ou refletindo sobre os mesmos.

Volto esperando o fim desse inverno "medonho". Sou da turma do sol, praia, corpo à mostra e libido. Não nasci pra viver cheio de panos e dentes se cumprimentando, definitivamente!
Frio me lembra introspecção, tristeza, silêncio e um ar de aparente intranquilidade. Prefiro o silêncio dos passarinhos no período do verão, a energia dos raios do sol e essa magia que tem o mar em dias e noites de verão. bom dia pra mim com esse sol morno e os ventos frios.

Sábado, Março 24, 2007

Quando?

O projeto Seis e Meia está voltando com novos ares... depois do show emocionante do Quarteto em Cy fazendo homenagem ao maestro Tom Jobim, as próximas atrações não ficam nada a dever, diante da programação do nao passado que foi irregular. No mês de abril farão shows pela ordem de apresentação, o cantor e compositor mineiro Flávio Venturini, Tânia Alves e, por último, o baiano Pepeu Gomes.

O assalto do ano fica por conta do show de Bethânia no Teatro Paulo Pontes a R$ 120,00 inteira. Com esse valor talvez eu consiga comprar os cds que fazem falta na coleção dela. Quando será que João Pessoa terá uma casa de espetáculo decente? Quando será que haverá um teatro no mínimo que possa abrigar um show grande a preços não tão azedos?
quando, quando, quando? lembrando caetano: tempo, tempo, tempo !!!

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

32 anos de Frevo!

9 de fevereiro.
Eis que o frevo chegou a marca de cem anos como um ritmo múltiplo e passos inúmeros, bem como amantes incontáveis. E eu comemorei 32 anos de frevo! Sim porque desde minha existência, em todos os finais de semana e férias em Recife, quando criança e pré-adolescente, passei a ouvir, gostar e ser amante do frevo. A cada carnaval ficava à espera de minha prima que voltaria do centrão com fantasias, apitos, máscaras para eu e minha irmã (que foi criada lá) brincar ao som do único som que por lá tocava: o frevo.
Vem daí minha afinidade e paixão. Tudo em Recife acaba por ser emotivo e familiar para mim. Das pontes ao sotaque, da alegria ao frevo. Os dois últimos carnavais não brinquei por razões superiores a mim... o que me fez apenas vê-lo da TV, enquanto as lágrimas caíam. Pois é... amor é amor.
Este ano é diferente! Voltar a Recife é sempre o reencontro de amigos, conhecidos e família. E sentir aquela energia que jamais vi em algum outro lugar. Um jeito pernambuquês de ser que faz qualquer um se sentir em casa, mesmo estando fora dela. E de se sentir amigo, mesmo sendo apenas amigo do conhecido de alguém que não se lembra mais o nome. rsssssssssss
"Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem, quando a gente entra na dança não se lembra de ninguém..." Antúlio Madureira.
Esquentando e Ouvindo: 9 de fevereiro, duplo de Antônio Nóbrega; Alceu Valença no Marco Zero, de Alceu Valença; Carnaval de Olinda ao vivo; Frevos, de Alceu Valença; e Micróbio do Frevo, de Silvério Pessoa.

Passos e tropeços na música

Idéias e idéias não faltam, mas a inspirãção e concentração às vezes somem de mim, portanto, os textos a seguir não seguem uma ordem cronológica, inclusive, com datas de postagem igual à do "aconticido".
Anay Claro e Eleonora Falcone. Duas intérpretes de gerações diferentes em busca de uma mesma coisa: a estrada. Explico: as duas fizeram shows no projeto "Estação Nordeste", que me instigaram a voltar a escrever aqui sobre música e até resgatar esse momento das duas. Anay tenta reencontrar um lugar de volta à música unindo o som de gerações distintas, enquanto que Eleonora busca se reiventar, apesar de nova na arte, unindo poesia à sons contemporâneos.
Pela primeira vez que vi Anay Claro a ouvi com desconforto por saber do potencial artístico e da presença cênica dela, no entanto, é uma artista experiente que precisa ser lapidada dos excessos, risco que até artistas consagrados tiverem que repensar um dia. O repertório não poderia ter sido melhor escolhido, assim como os músicos. Mas é aí que está o risco. Grandes compositores, grandes músicas, grandes músicos. Muitos superlativos às vezes atrapalham, mais que ajudam. Ao não optar por um som mais enxuto, limpo e econômico, afinal, só artistas populares conseguem fazer show com mega bandas por aí, Anay optou por uma banda grande, com muitos instrumentos, o que só atrapalhou a audição do show que resultou do CD 'Claro'.
Os arranjos pecam por reproduzir um clima Nordestino rural, conflitante muitas vezes com solos de guitarra que mais lembram a fase mais punk-metaleira dos Titãs. Algum problema nisso? A tal misturada de ritmos que tanto tenho falado. É mais fácil fazer um arranjo e juntar forró com guitarras, com triângulo e zabumba do que optar por um som limpo, sem ser acústico, mas que o público perceba as nuances da melodia e da letra. Exemplo disso foram as interpretações de 'Palavra chave' de Fuba e Pedro Osmar, registrada por Paulinho Ditarso; e 'A gente tinha combinado' gravada em dueto pelos compositores da música, Déo Nunes e Cátia de França. As bases essenciais das duas músicas foram tiradas, que era justamente a percussão e com isso Anay Claro perdeu uma ótima oportunidade de mostrar um samba percussivo autenticamente paraibano na primeira e um reggae no segundo.
Há anos sem gravar, Anay Claro tem voz, presença cênica - embora precise aprender a conter energia quando a música pede esse economia - e um melhor trato na expressão junto ao público, outro excesso. Prestes a lançar o CD Claro, Anay tem como desafio não reproduzir os mesmos erros que Elba Ramalho cometeu no início de carreira ao não trabalhar melhor o potencial que sua voz tem e limpar os excessos da expressão corporal, definindo para si uma outra postura artística. Do CD não há o que falar pois não o ouvi. O show vi e fiquei angustiado ao pensar: "será que o arranjador não percebeu essas coisas?" Anay bem que poderia voltar com o lançamento do CD pra valer com uma banda econômica, repensar os arranjos e fazer algo mais inovador e um show mais conceitual, afinal, show quando é meramente o disco não tem sentido de ser. E os arranjos podem mudar, afinal, a música é o momento de sua execução.


Acertando o passo e o canto - Outro show que me chamou bastante a atenção foi o de Eleonora Falcone. Pela primeira vez a vi solta no palco, cantando para fora, sem o tom de lamento presente em outras apresentações que soavam repetitivos e cansavam quem a escutava. Com apenas um trio no palco, bateria, baixo e guitarra, Eleonora Falcone cantou do fado ao rock, com muito entusiamos. Logo de início já podia se perceber uma diferença: a cantora largou o véu e o preto e chegou à Praça Antenor Navarro de cor de laranja. Mais verão impossível.
Desde sua chegada à João Pessoa, Eleonora Falcone tem se destacado no cenário local a meu ver por demonstrar racionalidade no trato de sua própria carreira e por uma curiosidade em querer ampliar horizontes musicais. Do fado ela não larga, mas se aproximou da música eletrônica, do pop, o que trouxe mais suavidade até para as letras mais densas.
Eleonora Falcone, paraibana que é, só despertou para a música ao morar no Rio de Janeiro. De volta à terra lançou o CD "Apetite", que de início causou estranheza porque ela se dizia paraibana e ninguém a conhecia. Mas fomos aos poucos a conhecendo. Confesso que sempre achei exagerado o jeito dela cantar, como se estivesse ouvindo os programas radiofônicos da madrugada com as grandes cantoras do rádio. Mas ela canta e canta bem. Músicas como 'Michel Jackson usa batom' ganharam novo fôlegoe empolgaram o público. Eleonora inovou ao abrir o show com a exibição de seu primeiro vídeo clipe que mostra uma cidade dificilmente visto pelas TVs locais. Um grande acerto artístico.
Agora é esperar que essa racionalidade e curiosidade não a faça a cada show mudar de estilos e de apresentação cênica, senão ficará estranho essa mutação artística tão rápida.

Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

cantando na contramão


O que nos toca a sensibilidade nem sempre nos embala o ouvido. Com a chegada do verão, inúmeros shows estão sendo realizados em João Pessoa, capital da Paraíba - para os menos avisados em geografia - e uma expressão tem me soado como lugar comum quando os artistas definem seu estilo ou quando o transpõe para o palco: a fusão de ritmos nordestinos.
Primeiro é preciso refletir que Nordeste é esse e que ritmos são esses. Nada mais natural entender que esse espaço geográfico que vivemos nada mais é do que uma construção discursiva, trazendo para si a representação de um conjunto de personagens, comportamentos, estéticas e manifestações sócio-culturais. E que ritmos são esses? Desde que Chico Science estourou com o movimento mangue beat - ou bite !? - que virou moda, lugar comum e bengala discursiva para centenas de artistas e grupos em recorrer ao caldeirão do 'Science', que já usava os ingredientes do Alceu Valença dos anos 70, que por sua vez, batia continência para as proezas rítmicas de Jackson do Pandeiro.
E aonde eu quero chegar, vocês poderia estar perguntando?!!! Na fusão de ritmos. Para o mangue ela foi certeira, abriu portas e alardeou os sons de toda uma geração. Mas, e agora? A fusão me dói os ouvidos quando não justificada pela pesquisa musical, coesão artística, proposta conceitual de uma comunicação com o público. (é, arte não é só fazer por fazer. é fazer também pra comunicar!).
Com os shows do projeto 'Estação Nordeste', levando artistas paraibanos às praças, Centro Histórico, e orla me dá uma sensação de olhar e ouvir o mesmo passado de antes, salve algumas exceções. Os grupos e artistas novos misturam rock com forró, ciranda, maracatu - de onde mesmo esse maracatu? - reggae e uma misturada que não tem fim. Some-se a isso artistas experientes fazendo quase a mesma proposta.
Foram dias e dias ouvindo forró, xote, maracatu, frevo, ciranda, coco, reggae, todos parecidos como se fossem o mais genuíno produto paraibano. E outros, apenas recorrem às obras de poetas para musicar versos bonitos. Mas espera aí. Poesia nem sempre é música! Às vezes, poesia cantada às vezes continua sendo poesia e não música. Soa chato.
Influências que ecoam -
Na falta de uma discussão aprofundada, como se fazia no período do Jaguaribe Carne e até mais recente do Musiclube da Paraíba, os artistas ainda se guiam pelas notas musicais que ecoam de Pernambuco. Volto a dizer, com raras exceções de música inventiva e inquietude artística, a exemplo de Paulinho Ditarso, Gláucia Lima, Realidade Crua - e Kaline -, Totonho e os cabra, Escurinho.
Em caso de comparações, ouvir a mistura ou fusão de ritmos me remete sempre às comparações, seja com Chico Sciense, Otto, Mônica Feijó, DJ Dolores, Bonsucesso Samba Clube, Ortinho, Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado só pra começar...mas cada um em "sua praia" musical. Tudo isso porque a nova geração da Música Paraibana não consegue ver a beleza que brota do experimentalismo, a proposta antropofágica e o anarquismo cultural do Jaguaribe Carne, mais paraibana do que o que se faz no 'agora'. Ironia ou não, os dois maiores expoentes da Música Paraibana no cenário nacional atual são Chico César* e 'Totonho e os Cabra', dois díscipulos de Pedro Osmar e Paulo Ró. Quem será que está na contramão?
"O meu corpo samba é uma vontade negra de liberdade..." Pedro Osmar.
* Chico César até começou mostrando forrós e outros ritmos. No entanto, a busca por um trabalho mais coeso resultou em discos profundos e conceituais como 'Mama Mundi' e 'De uns tempos pra cá'.

voltei!!!

Depois da agenda cheia de final de ano, deveria ter voltado a escrever, mas uma inflamação nas articulações do joelho me tiraram o humor, o sorriso e a inspiração. com a diminuição das dores, volto agora de vez com vontade de pensar, escrever, me expor e jogar-me nesse poço do improviso. a meus poucos leitores... Voltei !

Domingo, Janeiro 07, 2007

Fatboy Slim confirmado em Recife

Depois de muito mistério quanto ao preço dos ingressos, uma boa surpresa: Fatboy Slim faz show no dia 1° de fevereiro em Recife, de graça, no Marco Zero, Recife Antigo (PE). O projeto está sendo viável porque a Prefeitura do Recife entrou de vez comprando a proposta apostando na "invasão" dos fãs do dj e da música eletrônica vindos principalmente da Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Eu vou!!!
O dj inglês cumpre uma verdadeira maratona com mais de dez show por cidades do Brasil no mês de fevereiro, incluindo o carnaval de Salvador (BA). Agora é torcer que as estruturas do Marco Zero permaneçam intactas depois do Fatboy Slim para a subida de Maria Bethânia e Naná Vasconcelos com centenas de percussionistas ecoando os tambores dos negros na abertura do carnaval, no dia 16/02, abertura oficial do carnaval no Centenário do Frevo.
Ao som de Right He re Right Now, Fatboy Slim ao vivo.

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Novos ventos


O começar de um novo ano é sempre regado a simpatias, promessas, projeções e 'sentimentos nobres' - que geralmente inexistem no decorrer dos doze meses. O sentimento que me tomou neste 2007 foi o do 'agora'. Alguns dias em Fortaleza que fizeram (re) oxigenar. Não houveram simpatias... simplementes porque não havia clima para tal. Não fiz promessas porque há um longo caminho até seus cumprimentos e não quero correntes. Projeções? Para quê as quero? Para me martirizar ou erguer o ego com um 'consegui'? Quero o agora. Deixar os ventos da vida me levarem, mas, principalmente, o que me move nestes dias é viver um dia de cada vez e degustar cada minuto como se fosse - e é - o único.
Então era Natal e continua sendo. Então foi embora o ano novo. Mas quem disse? Afinal, todos são apenas dias e datas ou sentidos e sentimentos movedores da vida?
Balanço das estradas em 2006 - Infrações foram muitas. Acidentes quase sempre constantes e mortes, algumas com possíveis e reais renascimentos. O ano de 2006 foi marcado por uma série de ocorrências das mais variadas das quais, diante do quadro demonstrativo posso dizer: cresci e acho - apenas acho para não ser arrogante -, aprendi. E o que vale, afinal, é o aprendizado não é mesmo? Pois bem... 2007 é a possibilidade de relaxar se tiver que relaxar, de suar se for esse o caso e de abstrair rumo à poesia caso os ventos me levarem a isso. Tudo em nome do AGORA.
ps.: Mais adiante, impressões e sensações fortalezenses...

Sábado, Dezembro 23, 2006

cortando na própria carne


Há dias em que...
Há dias em...
Há dias...
Há...
ao amanhecer, silêncio...
Simplesmente há dias...

Volver ao riso simples

O passado pode bater à porta? Para Almodóvar, até mesmo as mais duras batidas um dia retornam à nossa vida. Em Volver, sua mais recente película, o passado e o presente se reencontram juntamente com o drama e a comédia, dois dos ingredientes mais famosos em seu trabalho para dar vazão a história de mulheres, cada uma com sua dor e seu prazer. Isso me lembrou o Caetano Velloso vigoroso do início dos anos 80 "não me venha falar na malícia de toda mulher/Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
Almodóvar levou para o cinema um filme digerível para um grande público como o do Brasil, embora não tenha tido uma boa bilheteria. Aborda a morte sob vários aspectos, desde o que representa a perda de um parente até a perda que só mais tarde vem à tona, a causada pelo abuso sexual. Sim, ele não esquece o sexo. Dessa vez os travestis, lésbicas, gays, usuários de drogas, etc, cedem lugar a um universo exclusivamente quase feminino.
Penólope Cruz interpreta Raimunda, uma mulher trabalhadora que se vê diante dos "fantasmas" do passado quando a encontra o marido morto pela própria filha Paula ao se defender de uma tentavia de estupro. Para completar o caos emocional, Raimunda recebe a notícia de que a tia acabara de morrer e que o fantasma da mãe tem visitada a aldeia onde nasceram. Daí o que se desenrola é um misto de comicidade com situaões e diálogos engraçados e a busca de Almodóvar em passar a limpo mais uma história que havia ficado no passado incompleta. Volver é mais que um retorno ao começo da história. É uma volta a comicidade existente no Almodóvar que havia ficado para trás, principamente, com os últimos Má Educação, Fale Com Ela e Tudo Sobre Minha Mãe, filmes complexos, densos e melancólicos. Volver Almodóvar, que é bom e faz farta.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Sobre ontem à noite

Há um quê de tristeza nestes dias.
;de saudades, de ausência...
e esse clima frio que, de repente, adentrou a cidade. O ar mais gélido, o chão úmido e as luzes mais fortes. O anoitecer de ontem, realmente, foi diferente.
Um quê típico dessa época do quê, pra quê, por que?

O dia em que meus pais (a Globo filmes) saiu de férias.

Por conta da minha curiosidade e espírito crítico, aos 17 anos ganhei do professor de Direito e Legislação - é eu fiz contabilidade um dia... - um livro que me virou a cabeça. "Brasil Nunca Mais", que reúne textos e depoimentos das vítimas do regime militar de destroçou o país entre 64 e 85, ano em que houve a abertura política.
A tendência dos filmes que abordam o tema são sempre panfletárias e estereotipadas como em Zuzu Angel, transformada nas telas em um melodrama quase mexicano a la global. A linguagem, os planos, a cenografia e até os atores, todos são muito familiares por conta das novelas da rede. Com base em tudo isso fui assistir mais um filme, vendido como uma história sobre a ditadura, muito receoso. "O Ano que Meus Pais Saíram de Férias" não é um filme sobre a ditadura, mas o olhar de um menino de 12 anos que se vê de repente distante dos pais e nao entende nada: nem os pais, nem a vida, nem o país e, muito menos aquele momento político. Os pais de Mauro fogem com a desculpa que vão passar férias fora e retornam até a Copa do Mundo. Pelos desencontros da vida, os pais deixam Mauro na porta do prédio do avô, sem saber que o mesmo acabara de morrer. O menino sem ter como avisar aos pais, é obrigado pelas circunstâncias a viver com Shlomo, o vizinho do avô, um velho judeu solitário, áspero e pouco afetivo. Desse encontro, ambos se transformam. Mauro que vem de Belo Horizonte então se enturma com moradores paulistas da vizinhança enquanto espera um telefonema dos pais.
Os closes e planos sequenciais dos primeiros minutos são extremamente globais e cansam, irritam e se repetem. Mas quando pega ritmo, vira filme. E Mauro vira gente. Os diálogos variam entre o cômico diário e a dramaticidade. O grande lance do filme não foi nem a reconstituição de época com figurinos, cenários e adereços da década de 70, mas a riqueza de detalhes das brincadeiras e universo das crianças até doze anos - nesta época ter doze anos era ser criança ainda. Do jogo de botão às revistas de figurinhas, a pelada na rua, a descoberta da sexualidade ao ver mulheres trocando de roupa em uma loja e os códigos de viver em uma turma de amigos. O diretor encontrou o tom certo do que era ser criança, sem parecer artificial como em novelas do mesmo "pai". Mérito também do ator mirim, Michel Joelsas, que me prendeu a atenção durante todo o filme.
"O Dia que Meus Pais Saíram de Férias" aborda esse sentimento infantil do elo perdido com a família e as referências sociais, morais e, sobretudo, afetivas. Lembrei-me imediatamente quando tinha menos que isso de idade e era deixado em todas as férias em Recife para ficar com minha irmã. Me sentia só e perdido até os amigos me fazerem esquecer da saudade de casa.
O pano de fundo do filme dá um tom rico, mas não panfletário como em filmes que abordam temas políticos Zuzu Angel, Olga, O que é isso companheiro?, etc... É a compreensão da incompreensão do que acontecia no país aos olhos de uma criança. Um sopro de inteligência de argumento diante de um olhar brasileiro em geral tão feio, cruel e pessimista. Quando não, ora é novela, ora é experimento.

p.s.: O filme continua ainda em cartaz. Vale a pena. Alguém da Globo Filmes cochilou durante as filmagens. Ainda bem!!!

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Então é Natal? Hein? E não sempre foi?!!!

Em postes, árvores e fachadas de casas e prédios as luzes das lâmpadas dão um tom especial e mudam a cara da cidada. Pelas ruas é um corre-correcomo também acontece horas antes de jogos decisivos da Copa do Mundo. Mas há sempre algo estranho no Natal. Há um silêncio desconcertante...
É nesta época do ano que uma boa parte das pessoas pára, olha, escuta - como os dizeres alertando sobre o perigo do trem - o que existe ao seu redor e que pode ser transformado e transformador.
As atitudes pré-natalinas, acredito, são bem intencionadas, afinal, não há que se recriminar distribuição de cestas básicas, doação de presentes ou uma simples companhia em uma prévia de Natal como fazem nos abrigos, asilos, hospitais e orfanatos. Mas o que sempre me pergunto é o que pensam e fazem essas pessoas bem intencionadas o ano todo? E as que estão sentindo fome agora não sentirão durante os outros onze meses só porque não é Natal? Que espírito natalino é esse?
A prática da solidariedade é mais abrangente. Não se limita a comoção natalina porque o sentido do Natal é eterno. É a renovação da mensagem de mudanças e transformações... de amor e prática desse amor ao próximo. Por isso, há muito tempo não dou presentes de Natal, dou presentes no resto do ano. Se tenho que fazer algo por alguém ou alguma causa, as faço no decorrer do ano. Tenho diluído os trinta dias de energias concentradas em meus doze meses de vida vividas. E isso por um motivo simples: o que me move é a consciência de não vim a terra apenas para estudar para trabalhar, trabalhar para poder comprar, comprar para poder usar, e etc... Sou uma formiguinha no meio de formigueiros imensos deste mundo que acredita que o dia de hoje pode mudar muito a vida de alguém em apenas um segundo. E que podemos mudar as nossas também em apenas um passo a frente ou para o lado. Há sempre razões até simples para cada uma das existências. O nascimento de Jesus é um marco, mas também um aceno de que somos livres para sermos ou termos. Tudo é uma questão de opção.
Aos solitários, órfãos, desesperançosos e, principalmente, aos eufóricos pelo clima comercial do Natal.

para começar bem 2007

A chegada de ano por essas bandas mais animada deve ser mesmo com Los Hermanos no Marco Zero, Recife Antigo, em Recife (PE). A programação que começa cedinho ainda terá Dj Dolores e Aparelhagem, que já é conhecido do público local, desde o Rec Beat no carnaval 2004. Os Hermanos sobem ao palco às 2h da matina.
E para quem curte o bom sambão, a opção é Paulinho da Viola. Na programação ainda terá show de Geraldo Azevedo na praia de Boa Viagem. O Cordel do Fogo Encantado toca no Morro da Conceição, tradicional bairro de Casa Amarela. Agora é só pôr o papelzinho na mão, balançar e sortear.


p.s.: Apesar da paixão por Los Hermanos... esperando ansiosamente mudar de roteiro até dia 31 de dezembro. ahauhauhauhauhauauahuauahauhauhau
"fugir com você eu quero, largar tudo e parar por aí, nem que eu pare do lado de lado, volte pela contramão" Fernanda Porto.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Travestis de quem mesmo?

O verão oficialmente ainda não chegou, mas em João Pessoa (PB) não é só o sol que nasce primeiro. O verão também acorda mais cedo por essas bandas. E com ele o fenômeno sazonal invade novamente as academias de musculaçao e espaços de esportes: a invasão de "travestis" de homens. Explico: na década de 80 os antropólogos Peter Fry e Edward MacRae, inspirados por suas pesquisas de campo, definiram o michê, jovem que se prostitui nas ruas utilizando a virilidade de forma exagerada, como o travesti do homem, assim como o travesti o é da mulher. Ambos são caricaturas de suas formas originais.
Pois bem... ao redor do equipamento supino, adolescentes e jovens se "enfrentam" na exibição de músculos e levantamentos de peso. O que vale é ser o mais forte. São os descendentes, principalmente no aspecto intelectual, do Rambo, que em breve voltará às telas do cinema. Lamentável, mas voltará. uhuhuhuhuhu
Quem é o quê nestes lugares? Vivemos o momento da corpolatria mesmo. O que vale é a avalanche de músculos arredondados por exercícios repetidamente de forma exagerada em tempo recorde e, em casos extremos, através de bombas (anabolizantes) para um efeito ainda mais rápido.
Os tipos são sempre os mesmos. Digamos que as pessoas começam a se sentir incluídas a partir do corpo e de um tipo social. Ao serem bombados eles passam a estar na moda, como diz a letra do funk "sou feia, mas tô na moda". Isso para eles, afinal, é o que importa. Nos shoppings, na praia, no Centro da cidade e, principalmente, tanto na área nobre quanto na periferia, eles são muitos. Se socializam e ganham fama. Ninguém mais fala: Você conhece Pedro, filho de dona Josefa?, como é de costume associar às pessoas aos pais e sobrenomes. Ao contrário.Dizem: Você conhece Pedro, aquele cara fortão, bem sarado? Nem precisa mais ser inteligente, educado, ético, honesto e até bonito. O que vale é ter o "corpo".
Na TV, seja nos jornalísticos ou de entretenimento, boa parte dos programas abordas as benesses de ter um corpo escultural. Nas novelas e comerciais, nem precisa analisar já que todos dizem: seja alguém! Tenha um corpo! E essa onda de qualidade de vida que crianças deixam de brincar pra praticar esportes para ter um corpo, uma vida, etc, menos pelo prazer que o mesmo pode proporcionar. E as tias? Com Renew e firmes e fortes querendo ter um corpo, não importa quanto custe: pessoal, psicológico ou material.
Tem havido realmente uma inversão de valores, de conceitos e de vivências. Não me refiro à moral especificamente, mas em um país onde ser desonesto é motivo de torcida e vibração, transformar o corpo e tornar-se mais um "travesti" talvez seja pouco diante desse caos, onde quem vê corpo não vê coração.
Esse assunto sempre me vêm à cabeça todas as vezes em que passo de ônibus e presencio os travestis serem insultados por homens, muitas vezes também "travestis" pelo avesso. E quando no shopping quase atropelo algum carinha que ao invés de olhar para a frente e os lado, fica se analisando, se comendo e se elogiando.
Afinal, somos travestis de quem mesmo, se já somos máscaras, personas e quase souvernirs?!!!

P.s.: Aê brow, quanto tu tá pegando no supino, mê irmão?!!! punf!!!


Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Personas? Personas! Personas. Personas...

Somos personagens, máscaras... quase souvenirs. Em minhas andaças pelas salas de bate-papo desde a época da pesquisa do mestrado sobre prostituição e masculinidade, tenho percebido algo que se repete feito invasão de formigas. As pessoas buscam o que rechaçam no dia-a-dia socialmente.
Tanto uma boa parte dos heterossexuais, quanto os bissexuais e homossexuais que por essas bandas entram em salas de bate-papo, em sua maioria, buscam sexo a dois, a três, a quatro, a cinco, a infinitas pessoas numa cama, web-punheta (eu nem imaginava que isso era tão comum...rs), swing, fetiches sexuais e bizarrices. Tudo no mais absoluto sigilo, com discrição "pois tenho filhos", "pois tenho marido", "sou casado preciso de discrição" ou por opção "sou muito discreta porque minha profissão não permite". És freira? perguntaria eu... kkkkkk. Do iniciar do dia até o varar da madrugadas os personagens se repetem, mas à noitinha esse fenômeno web-discursivo-sexual fica mais evidente pelo número maior de participantes.
A mulher que no dia-a-dia a sociedade impõe a seriedade e bom comportamento, na Internet se for santa corre o risco de ficar teclando só. Enquanto umas reproduzem a velha regra social com nicks como: "docinho", "lua", "doce menina", "elen gata", outras assumem uma postura subversiva diante dos purismos: "mulher ker dá", "Casada afim", "gostosa ker", "ela bi afim", etc... E os caras? Bom, diz a regra que homem que é homem come qualquer coisa. O que vale é manter o desempenho. O problema maior depois é a indigestão. Sendo assim, os nicks são apelativos... é um tal de "Pauzudo", "Dotado", "Kome cu", "casado infiel", "21cm agora".
Todos querem sexo, putaria e selvageria? Não há como sabermos... aquilo lá é um corredor rumo ao "céu e ao inferno". A única certeza é que amanhã tudo recomeça... porque as pessoas continuam com fome, nem que seja de falar... sobre aquilo que só são no plano imaginário de uma telinha cheia de bytes.
"Cabe ao homem achar dez verdades durante o dia. De outro modo, ele buscará verdades também durante a noite, pois sua alma ainda estará com fome". Friedrich Nietizsche
às conversas com Adriano de Léon, então orientador do Mestrado em Sociologia da UFPB.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

De volta à terrinha

A época natalina, além de seu sentido cristão, sempre possibilita os reencontros. É nesta época que muita gente, especialmente artistas, encontram um tempinho pra visitar a Paraíba. Regina Brown ou Céli Marrom - para os alemãs, já está por essas bandas e com show confirmado dia 26 de janeiro na Capital. Vocalista da banda Absurdus, Regina com as absurdas marcou época no cenário musicial local com shows memoráveis. Era a época em que se saía para ouvir artistas cantando música paraibana, sempre com casas lotadas. Elas ainda fazem falta!!!


Volta ao começo


E quem retornou de vez de Brasília foi o bailarino e arte educador Max Lamare, ex-integrante do Balé Popular da UFPB nas montagens "Varal", "A cura" e "Dobrado que nem Tapioca". Lamare também teve atuações nas áreas de Artes Plásticas do Setor de Cultura do Sesc-PB e trabalhos em organizações da sociedade civil como Casa Pequeno Davi e Centro Dom Hélder Câmara.
Com a volta quem ganha somos nós.

Abrindo os horizontes no meio do nada

Os feriadões sempre são frustrantes pra mim. Minha festa mesma é no dia-a-dia. Da cidade todos fogem, as ruas ficam desertas e todos ficam meio em estágio de euforia com som em volume alto e expondo corpos sarados ou excessos de peso em pouca roupa. argggggggggggghhhhhhhhhhhh e olha que os brancos censuravam os coitados dos índios.
Para quê tanta festa se é possível fazer festas diárias dentro e fora de mim? Pois, pois... descobri uns versos muito afetivos nestes dias de pensamentos da fantástica Alice Ruiz. Me pus à preguiça de não procurar o nome. Basta-me a essência das linhas e entrelinhas.


"A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia". Alice Ruiz

Domingo, Dezembro 10, 2006

Fatboy Slim esquenta os janeiros recifenses

Antes mesmo do carnaval chegar, Pernambuco vai pegar fogo, fogo, fogo.
Dia 27 de janeiro, mesmo dia que em João Pessoa o grupo Cidade Negra toca no Busto de Tamandaré nas divisas do Cabo Branco e Tambau, o dj Fatboy Slim faz show num espaço às margens do rio Capibaribe e próximo ao shopping Paço Alfândega.

A área da rave deve abrigar cerca de 15 mil amantes da música eletrônica. A programação está prevista para começar por volta das 16h até o amanhecer do dia 28, com djs de várias partes do Brasil e, claro, Fatboy Slim.

Norman Cook tornou-se mundialmente conhecido como Fatboy Slim a partir de 1996. Antes disso era um baixista desconhecido do grande público. A música eletrônica de Fatboy é uma overdose das batidas com funk, eletro, house, techno e hip-hop. NO carnaval deste ano, Fatboy saiu com um trio elétrico em Salvador e reuniu cerca de 200 mil pessoas na praia de Copacabana, no RJ.
Embora o preço não tenha sido divulgado ainda, o espaço vai ser pequeno...

Ouvindo Star 69, Fatboy Slim

Eu também gosto de rosas

O vozeirão de Ana Carolina está de volta. Há dias circula na internet o novo single "Rosas", que integra o cd duplo que deve chegar às lojas nesta quarta-feira, 13. O mesmo single, que está à venda no uol em formato mp3... pode ser baixado de graça pelo Orkut na comunidade Discografias (página Ana Carolina).
Vale a pena. É um hit amélia-pop, que vai agradar a massa e fazer a crítica torcer o nariz... o bom é que a levada marcante de Ana Carolina como nas músicas Garganta, Ela é bamba, Elevador estão de volta. Agora, é esperar o show, já que ela no palco é imperdível.

Rosas
Totonho Villeroy


Você pode me ver do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço pra te contrariar
De tantas mil maneiras que eu posso ser
Estou certa que uma delas vai te agradar

Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar

Porque eu gosto é de rosas e rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas

Se o teu santo por acaso não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho e nada a declarar
Meia culpa cada um que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão não vou nem soprar

Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar

Porque
eu gosto é de rosas e rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas

p.s.: Os vizinhos devem está odiando. Gravei um cd com a mesma música "Rosas" doze vezes! ha ha ha ha. É minha vingança contra o repertório de Calypso, Calcinha Preta e Aviões do Forró. Eu não mereço.

o tempo do rebento das ondas

A voz de Flávio Venturini sempre me soa familiar. Acredito que são os ecos da infância desde a época que ele era vocalista do 14bis. Neste ano de 2006, o 14bis veio a João Pessoa participar do projeto Seis e Meia... foi um show fantástico, mas, Flávio não veio.
Quem já andou por Belo Horizonte sabe que a cada viela, beco é possível encontrar um barzinho com um cantor e seu violão e os timbres mineiros ecoando nas Gerais. O som que Flávio Venturini faz sempre me é familiar...
Ontem, caminhando na praia, num descuido acertei em cheio uma música dele no mp4. A música, de imediato, casou com o vento, com a imagem da praia do Cabo Branco, como rebento das ondas na areia. Talvez sejam os ares de saudades de tantas coisas boas que vivi. Há que se viver o presente, sem projetar futuros porque os passados sempre se reatualizam, às vezes, e os futuros morrem. É possível... tudo é possível!


Máquina do tempo,
do CD Porque não tínhamos bicicleta (2003).

Finjo não saber que o tempo passa logo
Finjo pra tentar conter a minha dor
Finjo não notar, mas toda noite choro
Choro de saudade do que já se foi
Ah que bom seria se o tempo voltasse
Pra fazer tudo de novo, meu amor!
É como se a vida nunca acabasse
Reviver os passos seja como for
Lembrar do que foi bom
Mas também quero tropeçar nas mesmas pedras do caminho
Refazer a mesma rota que meu coração traçou
Deixa eu voltar, quero voltar,
Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei
Quero voltar, Quero viver o mesmo sonho e de novo encontrar você
Solo
Lembrar do que foi bom
Mas também quero tropeçar nas mesmas pedras do caminho
Refazer a mesma rota que meu coração traçou
Deixa eu voltar, quero voltar,
Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei
Quero voltar, Quero viver o mesmo sonho e de novo encontrar você

p.s.: A música tirou o reinado de Belô Velloso, que não consigo para de escutar um segundo o mix que fiz dos quatro cds dela com mpb, pop, afoxés, ijexás, sambas, frevos, rocks, baladas...

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Os caquinhos que Marina colou!!!

A geração teen praticamente desconhece a cantora/compositora Marina Lima e, se a conhece, tem a impressão que assim como Betânia e Gal, é uma artista ultrapassada e faz música pra poucos. Eis que depois de anos entre a depressão, trabalhos sequenciais que se desembocavam no universo confessional e ostracismo musical, Marina Lima lança no mercado fonográfico um novo disco: "Lá nos Primórdios".
Com esse trabalho, Marina mostra que os caquinhos do passado foram todos colados por amor ao bom e velho rock in roll e a música pop. Com mais um difencial: o rock de Marina está cada vez mais recheado de batidas eletrônicas, poesia concreta, versos crus e palavras cada vez mais alternadamente faladas e/ou cantadas. Nada por acaso. Foi um caminho percorrido naturalmente até aqui.
A música de abertura do disco "Três" já dá os primeiros sinais do que virá, ou melhor, do que não virá mais: o universo das dores de discos anteriores como Marina Lima (1990), O Chamado (1994)e O Pierrot do Brasil (1998). Os versos são diretos:

"Não há lugar pra lamúrias/
Essas não caem bem/
Não há lugar pra calúnias/
Mas por que não nos reinventar?

(Marina/Antônio Cícero)

Embora esse grito de alegria de agora seja interessante, foi em sua fase introspectiva que saiu parte de músicas que afirmaram Marina em plena maturidade artística que pode ser conferida em músicas como "O Chamado", "Meus Irmãos", "Não sei dançar", "Deixa Estar" e a primorosa e tristonha "Pierrot".
Em Lá nos Primórdios, Marina Lima é certeira em tudo. Iniciou uma sequência de shows nas noites sudestes, experimentando sons e músicas, de onde surgiu exatamente o show Primórdios. Nadando contra a maré, Marina ousa mais uma vez ao pegar um show e transformar/adaptar em um cd, produzir e negociar com uma gravadora a distribuição.
E está aí o "Lá nos Primórdios, um cd com doze faixas das quais duas Marina revisita sua própria obra mostrando que há muito vigor ainda nos rocks e baladas dos nos 80/90 como em "Difícil" e "Meus irmãos", esta última com versos fortes e proféticos:

"Os homens podem muito pouco/
O tempo sempre sabe mais como agir/
Tem sempre tanta coisa em jogo/
Vaidade, poder, o existir"

Soa até atual demais a letra. Para quem havia decretado a "morte" de Marina, ela prova que voltou a todo vapor. Primórdios é um disco com o sentimento rock in roll, com letras inteligentes. Sem deixar no canto seu lado de intérprete, bem registrado em "Pessoa", "Ainda é cedo" e "Ela e eu", em "Lá nos primórdios", Marina retoma seu lado intérprete com a canção de Chico Buarque "Dura na Queda", com alternância do violão e do baixo até o ápice com o refrão samba/bossa:

"O sol ensolararará a estrada dela/
A lua alumiará o mar/
A vida é bela/
O sol, estrada amarela"


Todo esse percurso é circular como uma ciranda, na qual Marina mergulhou inserindo samples e batidas eletrônicas para se aproximar do Nordeste, de onde vieram suas origens genealógicas: pais e avós. "Valeu" que aparece no início do cd retorna no finalzinho remixado:

"Portanto eu criei essa ciranda/
E aposto no que a vida prometeu/
Na paz, na guerra ou num jogo de damas/
Era pra jogar você e eu"


A Marina irônica também está de volta. Ela que sempre abordou os temas relacionados a sexualidade e comportamentos em décadas anteriores, agora aos 50 anos fala de amor de forma menos panfletária. E os questionamentos seguem seu rumo rítmico.

"Eu vi no mapa do mundo/
Que Anna Bella desenhou/
Que a região do desejo/
não é exatamente a do amor/

Já que é assim me pergunto/
Uma coisa que pensei/
Por que as mulheres também não podem ter a sua sauna gay?"


A ciranda, as batidas, os samples, a percussão, a voz...tudo mostra que os Primórdios é um retorno de um Rio de Janeiro que estava aí presente o tempo todo e nao víamos, de uma mulher independente que não ouvíamos e de um trabalho autoral que já fazia falta. Em 1984 Marina tomava as paradas de sucesso com a abertura da novela Roda de Fogo com "Pra começar", dela e Antônio Cìcero.
Os versos... "Pra começar quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo...", continuam atuais nos dias de hoje e só mostram que depois de muito tempo, Marina começa a colar os seus caquinhos e chega inteira depois de uma viagem aos Primórdis dela mesma e de sua obra.


P.s.: Agora é esperar que um dia o DVD do show Primórdios chegar nas lojas de João Pessoa porque o show talvez ou jamais por aqui aporte na "província". Uma pena!!! Quem sabe um pulinho em Recife resolva a ânsia de vê-la no palco?!!!

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

A contra(-)gotas

Um dia de cada vez. Essa é a máxima que estou aprendendo a aprender. Para alguém tão racional é difícil não pensar, pensar, pensar e, simplesmente, deixar as coisas seguirem seu rumo e "rolar". Isso porque nem sempre racionalizar significa a melhor escolha, o que só vemos no futuro. Mas cada dia é uma conquista rumo ao desconhecido. Tanta coisa aprendemos sem racionalizar e nem nos damos conta porque, afinal, no nosso uso prático e social, o que vale mesmo é dizer "que sabe"...
Um espiada no ano de 2006, que se vai, e dá pra perceber essa tendência de buscar o ilógico também em minha vida. Nadar contra a maré pra respirar mais e melhor. E que ninguém depois venha me dizer que surtei. Quero o imprevisível e o ilógico! Tomar banho de chuva, porque não?!!! Experimentar o sexo tântrico e o kamasutra que tal? E não esperar com tanta sede um "eu te amo" pode ser? Tudo pode ser - acontecer e sempre será - quando estamos preparados para mergulhar no imprevisível segundo que virá.

Estas já são certezas de quem não precisa mais e nem quer ter certezas de/e para tudo. Sair à rua sem destino pela saída e não pela conclusão. Isso contrariando o pessoense que em geral só sai depois de checar para onde, quem vai, como vai, quanto tempo fica e como volta. ahgggggggggggg, detesto esse interrogatório. Mais um ponto a favor da desracionalização... Risos.

Mas... Por que racionalizamos? Somos aquilo que nos deixamos ser? Penso que sempre há conflito quando somos uma coisa e praticamos algo diferente, afinal, a sociedade criou seus dispositivos de coerção de seus membros e, por isso, tanta gente anda por aí à toa, fechada em seu próprio mundo. E tranca seus desejos, às vezes, sem ao menos dizer um "te quero bem", "gosto de você", "pensei em você"... e tantas coisas simples sentidas nessa vida. Que bobeira desperdiçar os prazeres verbais da vida!!! Outros, saem "caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento", mas sabendo de si o mínimo para arriscar "invadir" o mundo do outro. Com ou sem freio de mão é preciso seguir...

Viver é fácil! Difícil mesmo é planejar o viver. Que os rascunhos e plantas de minha vida fiquem empoeirados e inacabados sobre a mesa no canto da sala. Quero isso não. Quero penetrar (no bom sentido... risos) na sombra alheia e atravessá-la como complemento diário. Quero pisar nas poças d'água e melar o pé e correr o risco de pegar vermes, afinal, quem tá na chuva é pra se molhar! Quero o sexo descarado porque é bom e faz bem a pele e a alma. Palavrões e safadezas na boca ou ao ouvido de vez em quando são bem vindos. E como são!!!

Não planejo meu dia. Tenho me deixado solto à certeza de que as pessoas cruzam nossa vida por acaso, mas com um sentido cósmico: ser amigo, transformar o outro, ser cúmplices de trepa, parceiros de copos, divisores de risos, desbravadores dos instantes, do por vir...

dedico esse texto ao silêncio e barulho noturno e a alguém que nao gostaria de ver seu nome citado aqui pela exposição virtual. "leio depois apago !" risosssssssssssss

boa segunda-feira pra mim!!!

Sábado, Dezembro 02, 2006

Onde fica a negritude?


Às vezes me pego pensando por onde anda nosso preconceito e como ele se reproduz. E fui tendo a sensação que as histórias são quase sempre as mesmas, mudando pequenos detalhes e, principalmente, os personagens - as vítimas.
A imagem mais forte que tenho na memória do ser negro vem de casa mesmo, de muito próximo. Desde criança me acostumei a ouvir as histórias de Joana Hardman de Oliveira e Antônio Firmino de Oliveira, meus bisavós.
Era início do século e é de se imaginar o que era preconceito naquela época se tomarmos como exemplo os fatos rotineiros do nosso dia, com tantas lutas conquistas pelos negros. Joana era branca, loira e de olhos azuis. Antônio, negro, cabelos negros e olhos claros. Um negro de fato para aquela sociedade.
É sempre interessante perceber como as pessoas ficam instigadas com o uso constante do HARDMAN que sempre faço em minhas coisas, seja email, blog, msg, etc. Eu assumo meu hardman como assumo meu Oliveira. Diante da pressão da família, Joana não cedeu, casou-se com Antônio e logo vieram os filhos, todos registrados como legítimos Oliveiras. O hardman foi abolido dos registros por decisão do meu bisavó que não queria os filhos dele com o sobrenome de quem odiava negros.
Usar o Hardman me remete à força e determinação dessa mulher que foi minha bisavó que se tornou exemplo de garra e força sendo comum, uma cidadão diferente nas posturas e atitudes diante do preconceito. Mais recentemente minha irmã, negra com sua filhinha branca, loira e olhos mel - agora com quatro anos - ao passar na praia foi abordada se era a babá da menina. O preconceito ainda está na cor e nos pequenos gestos. Gestos da intolerância. Salve Zumbi, o guerreiro. Negro! Negro! Negro!

Quarta-feira, Novembro 29, 2006

Por que silenciamos...

O amor é idealizado por todos nós. Isso é fato. Cada um à sua maneira sonha, planeja e vive o amor- embora alguns meramente o executem. E quando falamos dele, do amor, sempre recaímos em verbalizações tênues e poéticas, por uma simples justificativa: amor não rimaria com dor, jamais... Em Aritmética, romance de Fernanda Young, me vi diante de outro universo do amor. É bem verdade que não cheguei ao final do livro, mas nem preciso. Amor rima com transformação e, não há transformação sem sentimentos e a exteriorização dos mesmos, seja com alegria ou dor.

O encontro perfeito, muitos empecilhos no caminho, mas adiante: um The End. Os filmes e livros tendem a ser assim porque atendem a própria expectativa de quem os idealiza e a quem os recebe. Aritmética vai mais além. O The End é o tempo todo a transformação das dores e alegrias em instantes de prazer, de revisitação dos sentimentos e desejos e superação das frustrações, das tentações e dos limites. Talvez, por isso, sejamos demasiadamente puritanos a ponto de não nos aventurarmos em conversas "pecaminosas" sobre as estripulias afetivas-sexuais ou do desconforto que um palavrão causa aos ouvidos alheios e nossos.

Falar de amor, às vezes, é também vê a crueldade humana que há em si e no outro. É vê que o amor não elimina defeitos, rugas, limitações ou rabugices. No mais, faz-nos tolerante com o que há de inaceitável no outro por ser nosso objeto de desejo, de afeto e de posse. O amor é um cálculo pra mais ou pra menos, que sempre tem um resultado no final.

p.s.: Este texto fala de um amor novo... recente em minha vida, que tem tomado meus dias, meus pensamentos, meus desejos e minha mente. Amor a mim.

A duas amigas: Tatiana Domiciano e Isabelle Ichariglione pelos papos, reflexões e diálogos sinceros.